Sudoeste Paulista
Pedro Moreira O QUE HÁ ENTRE ITAÍ E NOVA YORK?


Crônica
O QUE HÁ ENTRE ITAÍ E NOVA YORK?
Por Pedro Moreira
Colaborou: Pedro Moreira
19/02/2018 • 09:26:04
Atualizada:
19/02/2018 • 12:16:20
  • Pedro Moreira
    Pedro Moreira
  • Tarsila do Amaral, Abaporu, 1928
    Tarsila do Amaral, Abaporu, 1928

Li num post da revista americana The New Yorker, em sua conta do Instagram, que foi inaugurada uma exposição em Nova York da pintora brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973), nossa conhecida compatriota modernista.

Quem não se lembra dos seus quadros? Que para os mais conservadores podem parecer simplesmente feios e rudes, mas que para muitos são um velho refresco da arte brasileira, sobretudo pelo que significou sua obra no período em que fora produzida. Na matéria da revista, é dito que é a primeira vez que a pintora modernista brasileira ganha uma exposição no MOMA (Museu de Arte Moderna, na sigla em inglês) que fica na metrópole.

Aquele artigo logo me causou uma sensação nostálgica. Não por ver uma brasileira tendo o devido destaque internacional, algo merecido, até porque, como bons brasileiros que somos, não gastamos tempo pensando nos nossos ilustres compatriotas. Até parece que eles não existem! Daí surge um interesse gringo neles e a gente passa a recordá-los. Mea culpa. Muitas vezes eu cometo esse, que, talvez, seja um dos nossos maiores pecados: a falta de apreciação do que é nosso.

Nunca estive em Nova York. A nostalgia vem de outro lugar: Itaí, Estado de São Paulo. Mas, o que há entre Itaí e Nova York? A resposta é escandalosamente simples: Tarsila do Amaral. Alguns podem se perguntar: hã? Do que ele está falando? Explico. Ao ler a reportagem, me lembrei que em 2003, mais ou menos, sem evitar de que minha memória falhe – ainda que jovem –, um projeto artístico foi desenvolvido na escola Lázaro de Almeida Filho, onde estudei por 5 anos na infância. Uma escola rural.

Foi ali, na solidão de uma escola do campo de uma cidade do interior que um projeto de pintar as paredes do pátio da escola com as cores e formas da Tarsila do Amaral me ajudou – e a outras crianças – a entrar em contato com a obra da pintora. Recordo que nós pintamos as obras. A professora desenhou os traços das telas “Abaporu”, “Autorretrato”, “A negra”, “Antropofagia”, “O ovo”, entre outras; nós nos revezamos com os pincéis e as tintas, foi uma festa, uma brincadeira. Tais obras (que nós fizemos as cópias) hoje estão exibidas na Exposição da artista brasileira nos Estados Unidos, em um dos maiores museus de arte moderna do mundo.

E se hoje posso estar aqui escrevendo essa crônica é porque lá em 2003 (espantosos 15 anos passados) uma professora de artes, de uma escola rural, teve a sensibilidade de nos apresentar a obra de uma artista tão fundamental como Tarsila do Amaral. Eu nunca mais esqueci daquela experiência-brincadeira. Foi uma lambança de tintas. É assim mesmo que se aprende: brincando.



Pedro Moreira nasceu em Itaí, Estado de São Paulo. É escritor, poeta e cronista. Desde pequeno se interessou pelos livros e antes de escrever já fabulava. Aos 14 escreveu suas primeiras crônicas, depois passando aos poemas. Reuniu alguns contos em um livro que editou em 2014 chamado Embora o mundo tivesse cor, pela Multifoco. Em 2016 saiu um volume de poemas, Oitenta e três idades, pelo Clube de Autores. Atualmente, estuda literatura na Universidade Federal do Rio Grande - FURG. 


Tarsila do Amaral, Autorretrato, 1923
Tarsila do Amaral, Autorretrato, 1923





















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