
A revista britânica The Economist destacou em sua edição desta semana o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, marcado para 2 de setembro, chamando o caso de “lição de democracia” para os Estados Unidos.
Na capa, Bolsonaro aparece com o rosto pintado nas cores do Brasil e usando um chapéu semelhante ao do “Viking do Capitólio”, personagem central da invasão ao Congresso americano em 2021. Conhecido como Jake Angeli – ou Jacob Chansley -, ele se tornou símbolo da tentativa de impedir a vitória de Joe Biden, ao se juntar a milhares de apoiadores de Donald Trump. Preso e condenado a 41 meses de prisão, cumpriu parte da pena em regime fechado e depois em um centro de reintegração no Arizona. Em janeiro de 2025, foi beneficiado por um indulto coletivo de Trump a mais de 1.500 condenados pela invasão. Ao comemorar nas redes sociais, escreveu: “Fui perdoado, bebê. Agora vou comprar umas armas”, frase que reforçou temores sobre o fortalecimento da extrema direita nos EUA.
Chansley, ator e seguidor do grupo conspiratório QAnon, dizia que suas vestes lhe conferiam “forças do xamanismo” e chegou a sentar-se na cadeira da presidência do Senado durante a invasão. Tornou-se, assim, ícone do movimento MAGA (Make America Great Again), lema de Trump que virou bandeira do extremismo nacionalista americano.
Ao associar sua imagem à de Bolsonaro, a The Economist reforça a ideia do ex-presidente como “Trump dos trópicos” e “polarizador”. Segundo a publicação, ele e seus aliados “provavelmente serão considerados culpados” pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A revista ressalta ainda que a tentativa de golpe “fracassou por incompetência, e não por intenção”.
Em editorial, a publicação afirma que “o Brasil oferece uma lição de democracia para uma América que está se tornando mais corrupta, protecionista e autoritária”. Como exemplo, cita medidas do governo Trump vistas como apoio a Bolsonaro, entre elas tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. Também menciona tentativas de interferência no Federal Reserve e ameaças a cidades administradas por adversários democratas.
Para a revista, esses episódios remetem a um período em que os Estados Unidos costumavam desestabilizar países latino-americanos. Hoje, porém, avalia que, ao contrário do cenário norte-americano, muitos políticos brasileiros, de diferentes partidos, defendem seguir as regras institucionais e avançar por meio de reformas.
A The Economist conclui que o Brasil se tornou um “caso de teste” para a recuperação de democracias diante da “febre populista”, que também atinge países como Estados Unidos, Reino Unido e Polônia.
FONTE G1