
Ourinhos enfrenta uma grave crise financeira municipal que impacta a administração pública, com denúncias de rombos milionários nos cofres públicos, atrasos em pagamentos a fornecedores e escândalos envolvendo desvios de recursos.
Na Saúde, denúncias apontam para uma dívida de mais de R$ 20 milhões e escassez de recursos estruturais. Com isso, em maio, a Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade a abertura de uma Comissão Processante para investigar irregularidades na gestão municipal, incluindo dívidas acumuladas e paralisação de repasses.
Ainda existem obras sob suspeita, pois o Ministério Público também ajuizou uma ação contra a Prefeitura e o consórcio responsável pelas obras do Parque Centenário, devido a problemas na execução, fiscalização e repasses financeiros.
CRISE NA SAÚDE
Com isso, a crise na saúde pública de Ourinhos ganhou novos desdobramentos após o afastamento parcial do prefeito Guilherme Gonçalves da gestão da área. Em entrevista, o vice-prefeito Alexandre Dauage, o Zoio, afirmou ter encontrado um cenário preocupante ao assumir a condução do setor.
Segundo ele, um levantamento preliminar aponta mais de R$ 20 milhões em dívidas com fornecedores, situação que pode comprometer a continuidade de serviços essenciais. Zoio também declarou que não possui controle sobre os pagamentos, que seguem sob responsabilidade de setores ligados à administração central.
Outro ponto de preocupação envolve a UPA de Ourinhos. O contrato atual de gestão da unidade termina em 30 de junho, mas, de acordo com o vice-prefeito, até o momento não havia sido publicado o edital para contratação da nova empresa ou organização responsável pelo serviço.
Com dívidas milionárias, fornecedores aguardando pagamentos e incertezas sobre a continuidade da gestão da UPA, a saúde municipal enfrenta um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A população agora aguarda respostas e medidas urgentes para evitar impactos ainda maiores no atendimento à população.
Fonte: Alexandre Dauage Zoio
BLOQUEIO DE BENS
A Justiça também determinou o bloqueio de bens do prefeito de Ourinhos, de dois de seus secretários e de empresas por suspeita de irregularidades na organização da 56ª Fapi (Feira Agropecuária e Industrial) de Ourinhos, realizada em junho de 2025.
A decisão da Justiça atende ao pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investiga um esquema de fraude em licitações e enriquecimento ilícito a partir do evento, tradicional na cidade.
Os secretários Jeferson Bento e Luiz Roberto “Chileno” disseram que respeitam a decisão judicial, mas discordam das acusações e vão recorrer; a NB Produções e a ACE afirmaram que irão apresentar esclarecimentos no momento oportuno, dentro dos trâmites legais.
FECHAMENTO DO SAMU
A crise financeira de Ourinhos ganhou mais um capítulo na manhã de terça-feira, 30. Em assembleia realizada pela União dos Municípios da Média Sorocabana (Ummes), os prefeitos que integram o consórcio decidiram paralisar diversos serviços prestados ao município, determinaram o fechamento da base descentralizada do Samu no Jardim Itamaraty e concederam um prazo de 30 dias para que a Prefeitura quite uma dívida acumulada de R$ 8,77 milhões.
Segundo a Ummes, a proposta apresentada pela Prefeitura de Ourinhos para parcelar o débito foi rejeitada por unanimidade durante a assembleia. A decisão foi motivada pelo elevado valor da dívida e pelo impacto financeiro causado ao consórcio.
A Ummes informou que manterá apenas o atendimento mínimo do Samu durante o prazo concedido, mas alertou que, caso a dívida não seja quitada, os serviços poderão ser totalmente interrompidos.
