
A crença de que dormir oito horas por noite é sinônimo de saúde vem sendo questionada por novas pesquisas. Um estudo internacional publicado na revista Health Data Science revela que a regularidade do sono – ou seja, manter horários consistentes para dormir e acordar – pode ser mais determinante para a saúde do que a quantidade de horas dormidas.
O estudo monitorou, ao longo de quase sete anos, os padrões de sono de 88.461 adultos usando sensores corporais. A análise indicou que, embora a duração do sono ainda seja importante, a regularidade exerce impacto mais decisivo sobre o bem-estar. Ritmos previsíveis de sono foram associados a menor risco de até 172 doenças – o triplo das condições relacionadas à duração ou ao horário de ir para a cama.
Entre os riscos mais acentuados de quem mantém hábitos irregulares de sono estão: maior probabilidade de desenvolver Doença de Parkinson (2,8 vezes), diabetes tipo 2 (60% mais chance), cirrose hepática (2,57 vezes mais risco ao dormir após 00h30), gangrena (2,6 vezes), hipertensão, DPOC, insuficiência renal aguda e depressão.
A pesquisa também desmistifica a ideia de que dormir demais é prejudicial. Dados objetivos revelaram que apenas uma doença se associou significativamente ao sono prolongado. Na verdade, 21,67% das pessoas que disseram dormir mais de nove horas, na realidade, dormiam menos de seis. Ou seja, o problema estava na percepção equivocada, e não na quantidade de sono em si.
Impactos da privação de sono
Dormir mal afeta muito mais do que apenas o humor. A privação de sono crônica pode comprometer todo o organismo, elevando o risco de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, Alzheimer, distúrbios psiquiátricos, imunidade baixa e até disfunções sexuais. Nas mulheres, pode haver queda no desejo e excitação; nos homens, risco de disfunção erétil e queda na testosterona.
Segundo especialistas do Instituto do Sono, o sono é tão essencial quanto a alimentação e a atividade física. Ele regula processos fisiológicos fundamentais, como o metabolismo, a saúde mental e o equilíbrio imunológico. Sem uma boa noite de sono, não há saúde plena.

A importância da higiene do sono
Mesmo sem distúrbios diagnosticados, muitas pessoas têm dificuldade para dormir. Nestes casos, adotar a chamada “higiene do sono” pode ser um caminho eficaz. Trata-se de um conjunto de hábitos saudáveis que favorecem um descanso reparador:
- Vá para a cama apenas quando estiver com sono; se não adormecer em 30 minutos, levante-se;
- Evite eletrônicos na cama (celulares, tablets, TV);
- Mantenha o ambiente escuro, silencioso e com temperatura agradável (se necessário, use luzes quentes como amarela ou laranja);
- Evite café, álcool, refeições pesadas e discussões à noite;
- Realize atividades relaxantes antes de dormir, como ler, ouvir música ou meditar;
- Não use medicações para dormir sem orientação médica — inclusive melatonina;
- Mantenha horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana;
- Evite cochilos tardios e pratique atividade física regular, preferencialmente 4 vezes por semana.
A especialista Monica Andersen alerta: “Quando dormimos mal, o corpo começa a falhar. Atenção, memória e imunidade são afetadas. Nossa sociedade vive em um débito crônico de sono. Precisamos valorizá-lo.”
Se, mesmo com mudanças na rotina, os problemas persistirem, o ideal é procurar um médico especialista em sono.
FONTE G1
