Desmatamento: ‘Eu estava de férias’, diz Marcos Pontes sobre divulgação de dados após a COP

0
107

Governo divulgou 5 dias após o fim da conferência relatório que já estava pronto e apontou maior desmatamento em 15 anos na Amazônia. Para ambientalistas, atraso foi para esconder.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, afirmou nesta quarta-feira (24) que não escondeu os dados sobre desmatamento na Amazônia divulgados cinco dias após a conclusão da COP26, a conferência internacional sobre o clima realizada em Glasgow, na Escócia.

“Eu estava de férias”, justificou Pontes ao ser abordado pela TV Globo e pelo g1 na Câmara dos Deputados.

A COP começou em 31 de outubro e terminou no último dia 13. O relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) — subordinado ao ministério de Pontes — apontou uma alta de 22% no desmatamento da Amazônia entre 2020 e 2021, tem data de 27 de outubro, quatro dias antes do início da conferência, mas foi divulgado somente no último dia 18.

Desde essa data, a TV Globo pede explicações diariamente ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações, sem obter resposta. As questões apresentadas ao ministério foram as seguintes:

O que foi feito com o documento produzido pelo Inpe, com os dados Prodes, quando recebido (dia 27 de outubro)?
Quais providências foram tomadas naquele dia?
Quais autoridades foram avisadas?
Por qual razão o documento só foi divulgado no dia 18 de novembro?
A taxa de desmatamento apontada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Inpe, foi a maior em 15 anos, teve ampla repercussão na imprensa internacional, mas não foi apresentada na COP.

Entidades ambientalistas afirmaram que o governo omitiu os dados, a fim de evitar o efeito negativo que a divulgação teria se tivesse ocorrido durante a conferência.

Nesta quarta, a TV Globo e o g1 abordaram o ministro Marcos Pontes sobre o assunto na Câmara dos Deputados, durante o evento de lançamento da Frente Parlamentar da Inteligência Artificial.

Indagado se escondeu os dados, Pontes afirmou não ter recebido porque estava em férias.

Leia abaixo o diálogo:

O senhor escondeu os dados de desmatamento que o senhor recebeu dia 27 de outubro e o governo publicou dia 18?

Marcos Pontes – Não, esses dados são publicados na época… (trecho inaudível). Se você olhar o histórico de todos os anos, ele é sempre publicado nesta época. Eu gostaria de ter participado, eu estava de férias, mas eu gostaria de ter participado quando foi apresentado, como costumo fazer junto com o ministro do Meio Ambiente.

O relatório data de 27 de outubro. O senhor recebeu no dia 27 e o governo divulgou dia 18 de novembro. O senhor escondeu os dados do desmatamento para evitar críticas na COP?

Marcos Pontes – Não, lógico que não. Eles sempre chegam no sistema. Agora, tem todo um trâmite interno etc. e a data normal de divulgação foi essa divulgada. Diga-se de passagem, o Prodes, o previsto é ele ser divulgado até dezembro. Se você olhar no próprio site do Prodes você vai ver isso lá. Do meu ponto de vista não tem relação com a COP.

Que dia o senhor recebeu os dados?

Marcos Pontes – Eu estava de férias.

Eu fui informado que o senhor recebeu antes da COP.

Marcos Pontes – Esses dados chegam no sistema. Agora chegar no sistema é diferente de a gente receber.

Não chegaram na sua mão?

Marcos Pontes – Quando chega lá, ele chega no sistema e depois que ele vai ser processado. E a gente sempre traz junto esses dados, junto com o Ministério do Meio Ambiente por volta do dia 18 e 20 de novembro.

O senhor participou da decisão de adiar o anúncio?

Marcos Pontes – Não, eu estava de férias.

Pouco depois, no gabinete da Presidência da Câmara, Pontes voltou a ser questionado sobre a necessidade de se manter o documento em sigilo. Assim que entrou no sistema, o relatório de desmatamento ganhou a classificação de “sigiloso”.

Segundo o ministro, é “normal” que esse tipo de documento seja classificado como sigiloso. Ele voltou a afirmar que o governo não escondeu os dados e disse que a divulgação ocorreu no período em que normalmente é feita.

Fonte: G1.

Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade