É perigoso usar celular enquanto ele está carregando?

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Vídeo que circula no WhastApp tenta provar que celular carregando dá choque – especialistas dizem que risco é baixo, mas ele existe, principalmente com uso de equipamentos ‘piratas’.

Você já deve ter feito isso: mexer no celular enquanto o aparelho está conectado ao carregador, na tomada. Talvez você até já tenha usado o fone de ouvido enquanto o telefone é carregado.

Nele, um homem usa um aparelho para “provar” que um celular carregando passa corrente elétrica e pode dar choque.

“Isso significa que o celular está energizado e que é um perigo você falar no celular com ele carregando. Pode ser fatal”, diz o homem em tom de alerta ao mostrar que o dispositivo detecta tensão no cabo e no próprio aparelho.

Vídeo que circula no WhatsApp exagera ao sugerir que choques são comuns no uso de carregador de celular — Foto: Reprodução/BBC

Quais os riscos de carregar o celular com um cabo estragado, falso ou defeituoso?

Especialistas alertam que uso inadequado destes itens pode danificar aparelho e, em casos mais preocupantes, machucar pessoas.

Testes já mostraram perigos de carregadores com defeito — Foto: Reprodução/TV Globo

Pode parecer apenas um jeitinho para driblar os preços de produtos originais, mas usar carregadores de celular estragados, falsificados ou defeituosos apresenta perigos reais.

Eles podem afetar o funcionamento dos aparelhos ou, em casos mais preocupantes, machucar o usuário.

A própria Apple, uma das principais fabricantes de celular do mundo, já criticou publicamente sites de vendas online por terem em seu catálogo produtos falsificados, o que poderia, segundo a gigante da tecnologia, até colocar vidas em risco.

Ao mesmo tempo, principalmente após os casos de baterias “explosivas” dos Galaxy Note 7 da Samsung, há muita especulação sobre o tema. O site Boatos.org, por exemplo, que vem desmentindo notícias e correntes falsas no Brasil desde 2013, já provou que dezenas de rumores relacionando carregadores de celular a ferimentos e mortes eram mentira.

E, se você recebeu um vídeo que está circulando no WhatsApp, deve ter se assustado.

Entenda aqui o que dizem organizações que são referência na área de segurança do consumidor.

1. Choques elétricos

A organização britânica Trading Standards, que faz campanhas de conscientização sobre segurança do consumidor, divulgou alguns dados preocupantes após testes com carregadores de celular.

Em 2016, ela revelou que, de 400 carregadores da Apple falsificados testados, 397 falharam em quesitos básicos de segurança.

Itens comprados na internet com origem em oito países diferentes, como os Estados Unidos, China e Austrália, foram conectados a redes elétricas de alta tensão. Eles apresentaram isolamento insuficiente contra descargas elétricas.

Leon Livermore, diretor executivo da organização, alertou que os riscos poderiam ser fatais.

“Pode custar algumas cifras a mais, mas produtos falsificados ou de segunda mão têm origem desconhecida e podem te custar sua casa ou até mesmo sua vida”, disse Livermore.

Joyce Nogueira, engenheira e especialista em segurança do trabalho, explica que carregadores clandestinos deixam de ter dispositivos que garantem a segurança nos originais. É o caso, por exemplo, de fios com a resistência adequada à corrente recebida e sensores que interrompem a energia quando a bateria está 100% carregada, como se fossem disjuntores. As baterias modernas, de íon de lítio, também não “viciam” como as mais antigas, de níquel cádmio, se usadas de forma correta. O mesmo não pode ser garantido com o uso de carregadores falsificados ou danificados.

“Depois que a bateria fica cheia, se não houver um sistema que interrompa a corrente, pode haver superaquecimento. Isso pode ‘viciar’ a bateria, danificar o aparelho e até causar acidentes”, explica Nogueira.

2. Incêndios e explosões

Por outro lado, além de descargas elétricas, cabos falsificados ou defeituosos “podem fazer com que os dispositivos esquentem demais e inclusive explodam”, diz o site da organização Electrical Safety First.

A organização destaca que este tipo de situação pode estragar o aparelho celular e, em casos mais graves, machucar uma pessoa.

Carregadores analisados pela Electrical Safety First mostraram componentes internos danificados ou fios internos mal soldados, o que traz risco de curto-circuitos.

Joyce Nogueira, engenheira e especialista em segurança do trabalho, explica que carregadores clandestinos deixam de ter dispositivos que garantem a segurança nos originais. É o caso, por exemplo, de fios com a resistência adequada à corrente recebida e sensores que interrompem a energia quando a bateria está 100% carregada, como se fossem disjuntores. As baterias modernas, de íon de lítio, também não “viciam” como as mais antigas, de níquel cádmio, se usadas de forma correta. O mesmo não pode ser garantido com o uso de carregadores falsificados ou danificados.

“Depois que a bateria fica cheia, se não houver um sistema que interrompa a corrente, pode haver superaquecimento. Isso pode ‘viciar’ a bateria, danificar o aparelho e até causar acidentes”, explica Nogueira.

Já em 2016, explosões envolvendo baterias de celulares tomaram o noticiário – dessa vez, com produtos originais, levando a um recall em todo o mundo do Samsung Galaxy Note 7. No ano seguinte, a Samsung divulgou os resultados de uma auditoria que buscou as causas das explosões. Segundo a empresa, elas estavam nas deformações e problemas no isolamento de certos componentes internos, fabricados por dois fornecedores.

3. Problemas na bateria

Os carregadores têm a função de transmitir para a bateria a energia que vai provocar reações químicas na peça e que, por sua vez, darão energia para o celular funcionar.

Mas, se há oscilações e volume inadequado de energia chegando ao aparelho, a vida útil da bateria pode ser deteriorada. Usar carregadores falsificados ou danificados podem contribuir negativamente para isto.

Cobrir a parte danificada do cabo não resolve o problema – então, se o seu carregador estiver quebrado, é melhor parar de usá-lo.

“Pode ser que, estatisticamente, o número de acidentes não seja muito representativo, mas os celulares são cada vez mais elementos fundamentais do nosso dia a dia. São inclusive usados por crianças. Na via das dúvidas, é melhor não arriscar e se prevenir”, recomenda Nogueira.

Dicas para evitar danificar o cabo do carregador:

Evite enrolá-lo.

Não dobre-o muito.

Não armazene-o em locais com alta temperatura.

Google apresenta celular com chip projetado ’em casa’

Pixel 6 conta com chip Google Tensor e segue passos do iPhone, que também utiliza ‘cérebro’ feito pela própria Apple. Modelos não costumam ser lançados no Brasil.

Google revela primeiros detalhes do Pixel 6 — Foto: Divulgação

O Google revelou nesta segunda-feira (2) uma prévia do Pixel 6, nova versão do celular de fabricação própria da empresa. A grande novidade desta geração é a utilização de um chip projetado “em casa”, chamado Google Tensor.

O Tensor é um “sistema em um chip”, ou SoC (como é chamado em inglês), que reúne componentes como processador, unidade de gráficos, modem 5G, entre outros.

A empresa não deu detalhes específicos sobre esses itens, mas disse que o chip do seu novo telefone terá uma unidade específica para operações relacionadas com inteligência artificial (IA) e outra para segurança, chamada Titan M2.

Com essas adições, o Google promete oferecer um processamento “mais poderoso” nas fotos e vídeos, além de uma experiência mais refinada nas funções de reconhecimento de voz (saiba mais abaixo).

Os novos Pixel ainda não têm data de lançamento nem preço definidos, mas esses devem ser os modelos que encabeçam a linha de celulares do Google.

A expectativa é que fiquem próximo da faixa dos US$ 1.000 (cerca de R$ 5.130, na cotação atual) e cheguem aos EUA até o final do ano. Esses aparelhos não costumam ser lançados no Brasil.

Serão duas versões: o Pixel 6 e 6 Pro. A diferença entre os dois está no tamanho e nas câmeras, de acordo com as informações reveladas até agora – a companhia ainda faz mistério sobre alguns detalhes, como memória.

O modelo padrão tem tela de 6,4 polegadas e duas câmeras na traseira. Já o modelo Pro chega a 6,7 polegadas e virá com câmera tripla – o sensor adicional é uma lente telefoto, que permite aproximar imagens em 4 vezes.

Google Tensor

Utilizar um “cérebro” feito em casa é uma mudança significativa para os celulares do Google. A estratégia vai na mesma direção da concorrente Apple, que usa seus próprios chips nos iPhones.

Até agora, a empresa incluía processadores Snapdragon, fabricados pela Qualcomm, nos celulares Pixel. Os chips dessa companhia estão presentes na maioria dos modelos Android à venda.

O Google não será completamente responsável por itens como CPU (processamento), GPU (gráficos) ou RAM (memória), que impactam na velocidade do telefone. Esses componentes foram licenciados por outras empresas, que não foram reveladas.

Por outro lado, a companhia tomou para si partes do SoC que envolvem segurança e inteligência artificial.

Isso é relevante porque os telefones Pixel são conhecidos por tirar fotos de alta qualidade, embora não tenha sensores de câmera tão poderosos quanto algumas correntes. Para conseguir os resultados acima da média, a companhia investe forte na inteligência artificial para “aprimorar” os cliques.

Google Tensor, chip desenvolvido pela própria empresa — Foto: Divulgação

Em demonstrações feitas para a imprensa estrangeira, o Google exibiu uma foto borrada de uma criança que estava em movimento e, graças ao seu chip, conseguiu “salvar” a imagem deixando o assunto mais nítido. Os exemplos de fotografias ainda não puderam ser divulgados.

Outra frente destacada pela companhia aos sites do exterior foram os recursos relacionados com a fala – a possibilidade de ditar palavras para serem escritas quase que instantaneamente ou a tradução em tempo real de um vídeo do francês para o inglês, por exemplo.

Sundar Pichai, presidente-executivo do Google, disse que o Tensor está em desenvolvimento há quatro anos e comparou seu tamanho com um clipe em um post feito nas redes sociais.

Mais detalhes sobre os novos celulares e o chip devem serão revelados nos próximos meses. A promessa do Google é de um telefone “mais útil do que nunca”.

Mas será que o perigo é real?

Especialistas consultados pela BBC News Brasil dizem que o risco existe – apesar de ser bastante reduzido caso o carregador e a bateria do celular sejam originais e estejam em bom estado de conservação.

“Nem carregador nem celular são construídos para dar choque ou explodir. Eles nascem para serem seguros. Mas se houver falha no carregador, principalmente nos não originais, ou na própria bateria, pode ter problemas. Então, se pode acontecer, a recomendação é que a pessoa não faça o uso do aparelho com ele carregando”, diz o engenheiro eletricista Edson Martinho, diretor-executivo da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel).

Considerando o número de celulares existentes no Brasil e quantas vezes por dia eles são carregados, não são tão “comuns” os acidentes. Mas eles acontecem.

Celular com bateria estufada pode até pegar fogo, e aquecimento do aparelho é uma das causas — Foto: George Christidis/Creative Commons BY-NC-SA

Levantamento da própria Associação mostra que, só no primeiro semestre de 2021, foram registradas 10 ocorrências de choque elétrico causado no ato de carregamento, com 6 óbitos. Houve ainda 3 casos de incêndio por sobrecarga. Em um dos casos mais recentes, uma mulher morreu no interior de Pernambuco após levar choque em celular conectado à tomada.

Mulher morre após levar choque em celular ligado na tomada em Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte de PE

A cabeleireira Márcia Soares Silva, de 26 anos, chegou a ser socorrida, mas morreu quando estava a caminho do hospital. A Polícia Civil investiga o caso, registrado como ‘morte a esclarecer’.

Tenente do Corpo de Bombeiros alertou sobre o risco de descarga elétrica por aparelho celular ligado à tomada — Foto: Lucas Marreiros/G1

Uma mulher morreu de choque elétrico ao usar o celular ligado na tomada, em Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A cabeleireira Márcia Soares Silva, de 26 anos, chegou a ser socorrida, mas faleceu quando estava a caminho do hospital. A Polícia Civil investiga o caso, registrado como “morte a esclarecer”.

De acordo com o irmão de Márcia, o pedreiro Antonio Soares da Silva, ela foi encontrada desacordada na cama, em cima do fio do celular que estava carregando em uma extensão elétrica. O caso ocorreu na segunda (24), mas foi divulgado nesta terça (25).

“Ela colocava para carregar e ficava usando. Estava na cama com o celular carregando e levou esse choque”, disse.

Segundo Antonio, a irmã foi encontrada pelo namorado. “Ela disse que iria tomar banho, falar com ele e que iriam se encontrar, mas não atendeu mais. Quando ele foi até lá, já encontrou ela inconsciente”, contou.

Márcia foi levada para o Hospital Geral de Lagoa do Carro, mas não resistiu e morreu a caminho da unidade. O corpo da cabeleireira foi sepultado nesta terça (25), no Cemitério Municipal José Lopes da Silva, na mesma cidade.

O tenente Werben Monteiro, chefe da Divisão de Ações Preventivas do Corpo de Bombeiros, falou sobre os riscos de usar equipamentos eletrônicos ligados na tomada.

“Aquele equipamento está recebendo corrente elétrica. Então, para carregar celular, computador ou outro equipamento eletrônico, é importante desligar e não manusear esse equipamento. Pode ter um vazamento de corrente elétrica e provocar um choque ou um princípio de incêndio”, destacou.

De acordo com o tenente, é importante sempre supervisionar a rede elétrica. “É importante revisão na rede para evitar sobrecarga no sistema. Outra recomendação é nunca usar acessórios sem serem originais do celular. A prevenção é a melhor vacina e o vetor é a informação”, ressaltou.

Vídeo não prova choque, mas alerta é válido

No vídeo que está sendo compartilhado no WhatsApp, fica a sensação de que aquele celular está passando uma corrente elétrica que pode dar choque no usuário.

Martinho, presidente da Abracopel, aponta dois possíveis problemas no “conceito” do experimento. Primeiro, o aparelho sensível pode até detectar corretamente que há uma tensão elétrica ali, mas não consegue diferenciar a intensidade.

Os carregadores de celular normalmente têm um transformador e outros componentes que vão converter a corrente alternada de 110, 127 ou 220 volts (depende da sua tomada) em uma corrente contínua entre 5 e 9 volts – uma tensão muito baixa para dar choque.

Para reduzir custos, porém, fabricantes de carregadores não originais podem eliminar algumas medidas de segurança que protegem o usuário.

O próprio Martinho conta que já fez um experimento em casa com carregadores “piratas”, utilizando um detector profissional: “Fiz um teste na saída do celular, e dava 50 volts”, diz.

Carregador quebrado, com isolamento rompido ou de má qualidade oferece riscos — Foto: Reprodução/TV Globo

Outro ponto que pode influenciar o experimento é a possibilidade de o aparelho captar, na verdade, ondas eletromagnéticas geradas na passagem da corrente pelo fio do carregador e pelo celular.

“Com passagem da corrente, ali tem um fluxo de elétrons. E isso gera, em torno do cabo, um campo elétrico e magnético. Esse tipo de aparelho tem a sensibilidade de identificar que ali existem essas cargas eletrostáticas, mas isso não quer dizer que vai dar choque”, explica Marcony Melo, especialista em Eficiência Energética da Enel, a concessionária de energia elétrica que atua em Estados como São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro.

“Agora, se o carregador estiver quebrado, com isolamento rompido, ou for de má qualidade, há um risco.”

Outro ponto importante para diminuir a possibilidade de acidentes é ficar longe de um aparelho carregando durante um temporal, com raios.

Essas descargas atmosféricas geram um campo magnético que induz na rede de energia uma tensão muito maior. E isso pode levar a problemas não só para um carregador, mas para qualquer aparelho conectado à rede de energia.

De acordo com Melo, o risco é maior se levar o aparelho ao ouvido para atender uma ligação ou usar fones. Ter o aparelho apenas na mão (para mexer em aplicativos e redes sociais) e estar calçado diminuem ainda mais a chance de acidentes.

Risco de choque é maior ao levar aparelho ao ouvido durante carregamento. — Foto: Altieres Rohr/G1

Baterias

Além de ter carregadores de boa qualidade e bem conservados para reduzir a possibilidade de choque, também devemos estar atentos à bateria original do aparelho.

Isso porque as explosões nos celulares – que normalmente aparecem no noticiário – são normalmente um resultado de um superaquecimento e falhas nesse equipamento.

Se o celular estiver completamente carregado, mas seguir conectado à tomada, uma válvula nas baterias originais costuma proteger contra possíveis falhas.

“É como uma bóia de uma caixa d’água, ela vai interromper a passagem de elétrons. Se falhar, eles seguirão enchendo a bateria”, explica Martinho.

A conexão Wi-Fi pode fazer o celular superaquecer e estragar?

Blog tira dúvidas sobre se o Wi-Fi pode ‘hackear’ o celular para superaquecer e danificar o aparelho.

Se você tem alguma dúvida sobre segurança da informação (antivírus, invasões, cibercrime, roubo de dados etc.), envie um e-mail para g1seguranca@globomail.com. A coluna responde perguntas deixadas por leitores às quintas-feiras.

Wi-Fi pode danificar o celular?

Perdi quatro celulares por superaquecimento, apesar de terem diferentes tempos de uso, marcas e até usuários prévios conhecidos que nunca passaram por este inconveniente. A única associação que vejo é o uso da mesma rede Wi-Fi privada de minha casa. Vocês têm informações para um usuário comum que possam ajudar a rastrear a fonte deste tipo de problema? Houve dispositivo que teve sua bateria estufada tamanho o nível de aquecimento do aparelho.

Também utilizei diversos apps antivírus, dentre os quais acusavam valores muito maiores de megabytes disponíveis pela rede Wi-Fi do que a contratada, de apenas um megabyte. – Higor

Independentemente da tarefa realizada pelo celular, cabe ao dispositivo se encarregar de que a operação não prejudique nenhum componente. Ou seja, o celular não pode se conectar ao Wi-Fi de tal maneira que isso danifique o aparelho.

A velocidade do Wi-Fi também não deve ter relação com isso: não só a velocidade informada é baixa, como o rádio de Wi-Fi do celular deve diminuir seu desempenho caso esteja muito quente.

Celular com bateria estufada pode até pegar fogo, e aquecimento do aparelho é uma das causas. — Foto: George Christidis/Creative Commons BY-NC-SA

Dá para pensar em duas possibilidades, no entanto, que ainda poderiam explicar essa situação:

1. Um aplicativo está usando o Wi-Fi indevidamente

Existem aplicativos que podem acionar certas funções quando uma conexão com o Wi-Fi é detectada. Essas funções podem nem estar relacionadas ao Wi-Fi, mas sim com algum processamento. O processamento, sim, é que vai deixar o celular com excesso de carga.

Isso chegou a ser registrado, por exemplo, com o vírus Loapi. O app fazia mineração de criptomoeda, aquecendo o celular por causa do excesso de processamento.

O conjunto de aplicativos que você utiliza não deve ser o mesmo que o das outras pessoas, mas é sempre semelhante em todos os aparelhos que você possui, o que pode explicar por que o problema volta a acontecer nos aparelhos que você usa, mesmo não acontecendo com outros que usam o mesmo aparelho.

Um problema no Wi-Fi até pode deixar alguns aplicativos “travando” ou em “loop infinito”, situação em que um programa repete o mesmo ciclo de operações, “girando em falso”, por assim dizer.

Se um site não puder ser acessado, por exemplo, um aplicativo pode ficar tentando realizar esse acesso infinitamente, consumindo o processamento do celular e fazendo ele superaquecer. Quando repetida seguidamente, até uma tarefa simples é suficiente para forçar o processador.

Isso pode inclusive dar a impressão de que a causa do problema é um Wi-Fi específico — se o endereço que o app tenta acessar não estiver disponível apenas naquele Wi-Fi, no caso. Mas a responsabilidade é do aplicativo, que deveria perceber o erro de conexão e encerrar a tentativa ou pelo menos definir um período de checagem (a cada 60 segundos, digamos) para não travar o processamento.

Há muitas outras possibilidades semelhantes, mas o importante é entender que o Wi-Fi, muito provavelmente, é no máximo uma causa indireta do que está acontecendo. Muitos aplicativos só baixam ou sincronizam determinadas informações quando detectam o Wi-Fi.

Infelizmente, redefinir o celular para os padrões de fábrica é a maneira mais fácil de verificar se isso está acontecendo.

Se o problema sumir quando nenhum aplicativo estiver instalado (exceto os que vieram de fábrica), é provável que o aquecimento esteja ocorrendo por causa de algum dos aplicativos que você instalou.

A restauração de fábrica fica nas Configurações do aparelho, confira um guia de como fazer.

Carregador inadequado também pode danificar o celular. — Foto: Altieres Rohr/G1

2. Problemas elétricos

Você pode ter problemas na instalação elétrica da sua residência, ou até no carregador que você utiliza.

Experimente consultar um eletricista para verificar se a tensão da sua instalação elétrica está correta ou troque de carregador.

Se você estiver usando um “carregador rápido”, veja se o problema ainda acontece com um carregador comum. De preferência, utilize apenas o carregador original do celular.

Em geral, cuidado com práticas que fazem o celular operar fora de suas especificações, como “root”, instalação de firmware de terceiros ou aplicativos fora das lojas Play Store (Android) e App Store (iOS). Tudo isso tem potencial para deixar o aparelho em um estado inseguro, inclusive para seus componentes.

Dúvidas sobre segurança digital? Envie um e-mail para g1seguranca@globomail.com.

Marcony Melo, da Enel, alerta os usuários a observarem se a bateria está esquentando mais e por mais tempo que o normal durante o carregamento. “E se você perceber uma ondulação, que ela está inchada, muito cuidado. Tem que levar para revisão, porque ela poderá explodir”.

Como minimizar riscos na hora de carregar o aparelho

Se há um temporal, fique longe do aparelho carregando.

Quando for dormir, deixe o aparelho longe de você e de objetos inflamáveis.

Se precisar atender um telefonema, desconecte o aparelho do carregador.

Não usar fones de ouvido

Use carregadores certificados pela Anatel (com selos)

Fique atento aos carregadores falsificados. Eles normalmente são mais leves, por estarem ocos por dentro, e podem trazer imperfeições.

Não carregue o celular em áreas úmidas, como banheiro e área de serviço.

Se for mexer no telefone, use calçados nos pés.

FONTE: G1.

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