Entrevista exclusiva: “Com fechamento, prejuízo chega a 50% no comércio de Cerqueira César”, destaca Paulo Stocco

O Jornal Sudoeste Paulista entrevistou o presidente da Associação Comercial e Industrial de Cerqueira César, Paulo Henrique Stocco. Ele começou contando cum pouso sobre a história da associação. “Nossa entidade hoje é bem pequena, a passa por algumas dificuldades desde de uma parceria mal sucedida entre o setor público onde envolvia o posto do Sebrae, onde além de perdermos o posto do Sebrae, nos restou uma dívida trabalhista. Hoje contamos com apenas uma colaboradora que faz todo o serviço operacional”, explicou.

“Diante das dificuldades conseguimos avançar muito pouco nas ideias que gostaríamos de implantar aqui. Num mundo onde as coisas giram muito rápido eu penso que o networking é o que temos de mais importante para um bom desempenho”, enfatiza Paulo. Networking é uma atividade de negócios socioeconômicos pela qual empresários e empresários se reúnem para formar relacionamentos comerciais e reconhecer, criar ou agir sobre oportunidades de negócios, compartilhar informações e buscar parceiros em potencial para empreendimentos.

“Nesse sentido temos tentado fortalecer os vínculos entre os empresários, onde através da tecnologia, fazemos reuniões quase que diárias via WhatsApp para compartilhar nossas dificuldades e conquistas”, conta Paulo.

Enfretamento da covid-19 e o fechamento do comércio

No enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, ele destaca que sua posição, enquanto presidente da Acicc sempre foi muita clara, embora o consenso absoluto foi sempre difícil de atingir. “Nós sempre tivemos a opinião que esse fechamento do comercio traria muito pouco resultado positivo e muito resultado negativo. Sempre tivemos também a postura intragrupo de orientação para as melhores práticas e cuidados no comércio, com os colaboradores, no uso de máscaras, na limpeza do local, na restrição de pessoas”, enfatiza Paulo.

Responsabilidade da fiscalização para o lojista

Outro entendimento do presidente, inclusive com constantes críticas ao Governo do Estado, é quanto à forma que vem conduzindo o enfrentamento à covid-19. “Em minha opinião falta sensibilidade e orientação quanto as informações não chegam para muitas pessoas.  Falar em multas, bem como, no caso do comércio, transferir a responsabilidade da fiscalização para o lojista dá uma sensação que o governo está terceirizar essa obrigação ao setor privado”, cita.

Prejuízo de 30% a 50%  

Paulo lembrou que o prejuízo dos comerciantes é alto, principalmente dos que não puderam abrir durante determinados períodos. “Não temos os números exatos, mas houve um prejuízo sim. Principalmente para as lojas consideradas não essenciais. Estimo que essas lojas deixaram de faturar entre 30% a 50% dependendo do ramo. Além de outros prejuízos com mercadorias que venceram na prateleira por falta de venda”, destacou.

Falta de estabilidade e a alta nos preços

Paulo falou ainda sobre a instabilidade gerada pela crise. “O que mais aflige um gestor é a falta de previsibilidade e estabilidade! Pois ficamos sem saber o que fazer, no que investir, em qual gasto cortar, e principalmente no que comprar. A pandemia também gerou impacto na logística provocando falta de estoque de alguns produtos, alta demanda de consumo em outros produtos, gerando inclusive alta nos preços que nos foram impostas pelos fabricantes e distribuidores”, esclarece Paulo. De acordo com Stocco, o que amenizou um pouco foi a ajuda do Governo Federal, tanto no auxilio emergencial, quanto no auxilio salário bem como nas linhas de crédito ao pequeno empresário como o PRONAMPE.

Continua depois da Publicidade

Inadimplência e restrição de crédito

Outro resultado da pandemia é a inadimplência, segundo Paulo. “Também não tenho informação exatas, mas já temos registros de um aumento, com tendência de aumentar ainda já que as pessoas perderam parte da renda. Por conta disso sofremos também com a restrição de crédito perante os fornecedores”, destacou.

Mesmo em meio aos problemas, Paulo contou que graças ao bom Deus o número de comércio que estão fechando as portas em Cerqueira César ainda é baixo. “Porém já tivemos notícia de algo em torno de cinco lojas encerrando as atividades. Mas a luta pela sobrevivência tem sido grande, até porque para muitos a única forma de renda é seu comércio”, diz ele.

Preocupação com o futuro próximo

O que preocupa o presidente é mais a frente, hora em que as ajudas cessarem e a recessão chegar em maior nível. “Segundo minha previsão o pior momento para o comércio será após o mês de novembro, caso a quarentena se estenda”, frisou. “Já tivemos também várias percas de postos de trabalho que ainda estão recebendo seguro desemprego, que se não forem recolocados e com o fim desse auxilio também será um agravante. Mas no meio das notificas ruins temos casos positivos como o Gran Corte, que mesmo em meio à pandemia tem mantido o quadro e ainda feito contratações”, comemora o presidente.

Segundo Paulo, os impactos se dão em ambos os comércios tanto pequenos quanto grandes. “Tivemos lojas que no mês de março e abril principalmente, tiveram que buscar empréstimos para pagar salários dos funcionários, e aquele com maior número de colabores tiveram perca maior.  Tudo isso impacta na economia como um todo.  Ou seja, todo mundo perde, pois a economia não gira”, explica Paulo.

Paulo salienta que a positividade é algo gritante no brasileiro, além da criatividade. “Vamos sempre saber nos portar diante de qualquer crise. Mesmo com as portas fechadas estamos nos adaptando, fazendo maior uso das tecnologias talvez hoje estamos conversando com nossos clientes mais que antes”, lembra. “A única coisa que nos aflige é a falta de estabilidade”, continua.

Para Paulo “o pior da pandemia são as vidas perdidas, que inclusive até nos deixam consternados, porque do contrário, vamos sair mais fortes dela. Muitos legados ficaram para sempre, como: maior uso da tecnologia, desburocratização, investimentos em saúde, maior cuidado com a saúde e higiene. Nunca se cuidou tanto da saúde como agora”, concluiu o presidente da Associação Comercial e Industrial de Cerqueira César.

Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade
Continua depois da Publicidade