Animais resgatados da área onde será PCH são devolvidos à natureza

Cobras são resgatadas da área de supressão e devolvidas a um habitat seguro

Está sendo construída entre os municípios de Águas de Santa Bárbara e o de Iaras, no Rio Pardo, uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), que sé denominada Ponte Branca. A empresa responsável pela construção é a PB Produção de Energia Elétrica, que segundo seus representantes, está seguindo todas as determinações da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

A fase atual é de supressão da vegetação e limpeza do terreno onde será instalado o lago da PCH. Neste território de aproximadamente 72 hectares vivem milhares de animais de grande e também de pequeno porte. A equipe do Jornal Sudoeste Paulista esteve na quinta-feira (09) na área onde funciona o centro de triagem responsável pelo resgate desses animais.

Lá descobrimos que a primeira etapa é afastar da área ode se formará o reservatório, os animais maiores, de grande porte, para que assim ocupem outros habitats. “Já os pequenos animais, como roedores, sapinhos, cobras, são todos resgatados e passam pelo centro de triagem, onde é feita uma sequência de ações”, explica Ariane Carolina Bortolotte, que é bióloga e coordenadora técnica da Engpacto, empresa responsável por este trabalho.

O resgate é minucioso e visa a saúde, bem-estar e conservação das espécies, segundo o grupo de profissionais. Trabalham também neste projeto também os biólogos Michel de Aguiar Passos e Rafael Benetti, engenheiro florestal Felippe Rodrigues e pelo veterinário responsável pelo centro de triagem Noel Eduardo Cintra.

No centro de triagem os animais onde recebem um número de RG, eles são fotografados e identificados a nível de espécie. “As informações vão para um banco de dados e os animais passam por quarentena, onde o veterinário faz análise das condições físicas e se ele estiver bem, ele é solto nas áreas de soltura cadastradas antecipadamente pelos órgãos ambientais”, explicou a coordenadora Ariane.

Em um mês de trabalho são 135 animais cadastrados, que já passaram pelo centro de triagem. A maioria é composta por cobras verde, jararaca, cobra cega, ratos do mato, entre outros. Eles estão sendo removidos de uma área de aproximadamente 72 hectares e vão para um espaço bem mais amplo, de cerca de 150 hectares. São três áreas de soltura, segundo informações da equipe. O trabalho envolve funcionários da PB, que fazem a parte de supressão da área e deve durar cerca de 60 dias.

Dezenas de animais estavam em quarentena na data da visita do Jornal. Um deles era uma cobra verde, que estava hospitalizada após uma cirurgia e aguardava alta veterinária. Roedores também estavam sendo cuidados pelo veterinário, um sapo e outras espécies de cobras, como uma cobra coral e um pombo do mato. “O nosso maior foco é salvar as espécies”, enfatiza Ariane.

Pombo sendo alimentado

Um ouriço cacheiro foi encontrado e deveria ser solto na sexta-feira (09) após ser registrado no sistema e passar por triagem. Lá estavam também outras espécies de cobra, como a caninana. Foram instalados no local trailers que funcionam como centro de triagem, sala de quarentena com ambiente aquecido para os animais devido ao inverno, sala onde funciona o centro cirúrgico e até uma cozinha, que é utilizada para preparação da alimentação de cada espécie, além de almoxarifado.  

Cobra passou por cirurgia

O trabalho é obrigatório devido a normas de Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que é o órgão que regulamenta a construção da PCH. Após enchimento do reservatório, animais resgatados, obras concluídas e as licenças de operação emitida pela Cetesb-SP, a PCH poderá gerar energia para milhões de habitantes.

Ouriço voltaria a seu habitat

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