Mãe fala sobre desafios de ter um filho com deficiência

Antônio impressiona por ser tão sorridente
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Todo pai e toda mãe desejam ter um filho sem nenhuma deficiência. Antes mesmo de engravidar, é comum imaginarem como será o novo membro da família, conversam sobre possíveis características físicas e psicológicas, qual profissão pode ter quando crescer e se o bebê será mais parecido com a mãe ou com o pai. Mas, quando o ‘bebê real’ é muito diferente do ‘bebê imaginário’ vários sentimentos podem ocupar a mente e o coração do casal: o medo, a raiva, a culpa, a compreensão do motivo de isso estar acontecendo com a família, o desespero, a ansiedade, entre outros sentimentos podem aparecer durante o período pré e pós-natal.

Como é ter um filho com deficiência: Primeiro vem o “luto”, depois desafios e alegrias, segundo a especialista em desenvolvimento infantil da Fisher Price, Teresa Ruas. Essa mistura de sentimentos, levou a mãe Eliane Garcia, integrante do Movimento Mães Atentas (MMA), de Taquarituba, a expor algumas situações e a falar sobre o tema.

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Ela é mãe de Antônio, que sofreu uma paralisia cerebral e, hoje, apesar das limitações, emana alegria por onde passa. Ele já tem quase 20 aninhos de idade. Acompanhe: Alguém já perguntou como a mãe de uma criança com deficiência se sente? Já se preocupou em saber o que se passa por trás daquela mulher que tá sempre ali enfrentando o mundo pelo filho? Eu falo! Na maior parte das vezes aquela mulher forte, por dentro está frustrada, triste, desesperada. Um grito resume bem o que ela sente. Ela grita o tempo todo, mas em silêncio. Grita pra si mesma. Grita sem que ninguém possa ouvi-la. Quem ajuda essa mãe? Quem dá o apoio que ela precisa? Quem alguma vez se colocou no lugar dela? Quem queria estar no lugar dela? Vocês acham que as vezes elas não pensam: “queria que meu filho fosse ‘normal’. Sim elas pensam!” Mas, mesmo assim, elas os amam como são! Não, não pense que isso a torna fraca, porque isso não torna! A mulher que abriu mão dos estudos, do trabalho, da vida, é muito mais forte do que vocês imaginam. Pois no meio dessa loucura que é esse mundo “dito especial”, ela tira forças pra ainda procurar o melhor para o seu filho. Ela luta com leões pra que ele seja aceito e bem recebido em todos os lugares. Ela arruma tempo para se virar entre consultas, crises, remédios, casa, marido, família, entre outros. Ela consegue lidar com “amigos” que sumiram. Ela passa por cima daqueles que não chamam para uma festinha por causa do filho. Quantos maridos pularam do barco e não aguentaram a luta!? Quantos pais dizendo não ser pai do seu filho por ele ser pessoa com deficiência? Pois é, nunca olhe para essa mulher e pense “deve ser uma pobre coitada”. Por que essa mulher é capaz de muito mais do que você ou ela mesma imagina! E mães atentas de Taquarituba essas mães são vocês e bora nunca desistir. Nossa luta é diária”, finalizou Eliane.

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Eliane contou também como é o trabalho desenvolvido pelo MMA, que consiste num voluntariado, onde as integrantes ajudam as famílias que recebem diagnósticos a superar situações e a se motivar. Elas também dão apoio quanto a construção de calçadas, facilitando a acessibilidade dos cadeirantes. Eliane conta que nestes quase 10 anos de formação, o MMA, conseguiu acumular várias conquistas para os deficientes físicos, através de um trabalho sério junto ao Ministério Público do Estado de São Paulo, que garantiu vários direitos de pacientes.

“Ainda temos muita estrada pela frente, mas é importante que todos apoiem”, comenta. “Lutar contra o preconceito, a falta de recursos não é uma batalha fácil, porém com a ajuda da sociedade, dos amigos conseguiremos vencer cada batalha”, continua. Ela conta que o filho Antonio foi diagnosticado com paralisia cerebral após nascer. “Em Taquarituba existem muitas pessoas com este mesmo diagnóstico e o triste é saber que seu filho era para ser perfeito e, na hora do parto algo errado acontece e então vem aí um provável cadeirante como muitos casos que conheço”, desabafa ela. “Mas não dá para voltar ao passado então só nos resta a lutar e cuidar bem destes anjos sem asas”, concluiu Eliane.

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