Mãe de Mikaela revela detalhes sobre a morte da filha

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Thais Garcez, agora mãe e avó de 32 anos, sobrevive com os parcos recursos que ganha com seu trabalho como costureira autônoma. Ela, que viu a filha falecer sem poder nem se despedir direito, afirma ter ocorrido ausência total de exames médicos nos dias em que ela procurou ajuda na Santa Casa de Taquarituba e, até mesmo a comovente informação de que teve de implorar ao médico para que pusesse as mãos em sua filha, que agonizava de dor.
Tudo começou no dia 8 de janeiro. Depois de Mikaela ter passado por uma gravidez normal e sem problemas, neste dia, sentiu as dores do parto, quando 12:30 chegou ao hospital com 4 quatro dedos de dilatação e essa foi a única vez de atendimento rápido. Às 21:20 daquela noite, Mikaela foi encaminhada para o centro cirúrgico, onde através de parto via cesariana, Lorenzo nasceu saudável as 22:04.
De volta para sua casa, Mikaela começou a ter fortes dores e no dia 11, apenas um dia após ter tido alta, procurou a entidade filantrópica, onde, após horas de espera, foi atendida e medicada devido as dores e nada mais. Depois de ir para sua casa as dores aumentaram, retornando novamente ao hospital no dia 13 e, desta vez, o médico de plantão, um cardiologista (o mesmo que a atendeu nas demais vezes) suspeitou de infecção de urina, pediu exame e medicou a jovem mãe com Amoxicilina, um antibiótico que combate infecções bacterianas, muito usado em infecções urinárias. “Mas ela não tinha nenhuma dor ou incômodo ao urinar”, contou Thais, já suspeitando da visão do médico que, mais tarde se mostrou equivocada.
Com o quadro clínico só piorando, no mesmo dia Mikaela voltou ao hospital. Depois de muito tempo de espera para ser atendida, foi novamente medicada com o antibiótico para combater infecção urinária e mandada de volta para casa. Um detalhe revelador dito por Thais, até este dia, sua filha não tinha sido nem tocada pelo médico. “Ela não foi nem apalpada pelo doutor, ele somente olhava para ela e prescrevia os remédios”, disse indignada.
No dia seguinte, terça-feira, 14, Mikaela voltaria pela última vez ao hospital. Desta vez, segundo Thais, vendo o estado deplorável de sua filha, implorou ao mesmo médico, para que ao menos tocasse na adolescente para examina-la, pois os outros atendimentos foram somente pelo olhar.
Foi quando o cardiologista pediu que a paciente se deitasse na maca do consultório e, após alguns toques de mão na barriga de Mikaela, mandou chamar a médica responsável pelo parto e disse para Thais, “em sua filha não toco mais a mão.”
Desesperada e sem saber o que fazer e muito menos a quem pedir socorro, Thais viu sua filha viva pela última vez. Mikaela foi internada, recebeu tratamento paliativo com transfusão de sangue e novos antibióticos. Sem responder ao tratamento, no mesmo dia 14 foi removida, já em estado muito crítico para a Santa Casa de Avaré. No dia 16, a jovem mãe não resistiu ao quadro severo de infecção e morreu.
“Foi um baque muito grande! Tive muita dificuldade para engravidar de Mikaela. Agora passo pelo quarto dela, e um vazio enorme me consome. A dor é muito grande.”, declarou emocionada Thais.
Segundo Thais, agora vive sob calmantes potentes para suportar a dor da perda irreparável, mesmo recebendo toda a ajuda da população taquaritubense com doações para o pequeno Lorenzo, cuidado agora pelo pai, de apenas 18 anos. A prefeitura do município, através do CRAS, também envia para o bebê, leite e fraldas.

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